O que me inspira

Fiquei recentemente interpelado por uma TED Talk de Simon Sinek sobre a razão pela qual os grandes líderes nos inspiram a agir. É o que Sinek chama de Círculo Dourado.

Todos podem saber o que fazem.

Alguns sabem como o fazem.

Muito poucos sabem porque o fazem.

O tópico da Ciência e Fé sempre fez parte da minha vida. Na escola, andava eu na catequese, um colega diz-me que "Deus é uma ideia inventada pelo homens para explicarem o que não conseguem." Não sei de onde ele teria "inventado" aquela ideia, mas foi o suficiente para eu acreditar nela, acreditar em Deus sem que a ideia fizesse mossa, e a partilhasse em casa, levando a minha mãe (recentemente convertida por uma experiência que fez de Deus) a deitar as mãos à cabeça. Foi aí que me convidou a participar em Grupos de Oração do Renovamento Carismático e o que me fascinou na primeira vez foi um ensinamento que ouvi sobre a Igreja. Não me lembro do conteúdo. Apenas “memorizei” o impacte que produziu em mim ”afinal a Igreja é isto…uau…”

Depois na escola, entrei num período fundamentalista, pois não percebia como seria possível alguém não acreditar em Deus. Dizia a uma colega ”a ciência e a fé são como duas pernas com as quais caminho. Se apenas ando com uma, ando coxo.” Ou seja, teria mais dificuldade em caminhar. A questão que não coloquei na altura foi: em direção a quê…? Se caminho, então, para onde quero ir?

Não fazia diferença.

A experiência de Deus através do sorriso de um deficiente levou-me a experimentar como Deus me amava, ou aquelas lágrimas após uma comunhão que não fazia a mínima ideia de onde vinham – ainda hoje não sei – davam-me uma certeza profunda e interior de Deus mais próximo de mim do que eu de mim próprio. São estas as experiências concretas, vividas, que gravaram no coração e inteligência a realidade de Deus.

Mas as coisas não iriam ficar por ali.

Faltava qualquer coisa.

Sempre adorei ciência.

Sempre amei a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a mim mesmo. Mas não percebia ainda a potência de quando colocamos estas duas realidades – ciência e fé – da nossa vida em diálogo. Até que um dia li um artigo.

O artigo falava dos modos de interação entre o conhecimento científico e o saber teológico. Estava escrito em italiano e li-o enquanto aprendia esta língua perguntando à minha esposa (tinha casado nesse ano) o que significava "quindi", "cioè", "magari”, etc. Foi divertido! Esse artigo tinha uma série de referências e uma delas estava à venda na Amazon por "tuta-e-meia" e não resisti. Quando chegou comecei a ler e devorei o conteúdo! Mandei vir outro, sempre em segunda mão por serem SUBSTANCIALMENTE mais baratos, e outro, e mais outro, e outro ainda. Um mundo abria-se aos meus olhos e fiquei a perceber como sabemos TÃO pouco sobre a potencialidade de colocarmos ciência e fé em diálogo. Eis o resultado. A minha biblioteca.

Mas um dia recebi uma notícia que me deixou perplexo e sem palavras.

Recebi um email de um GRANDE amigo (e ainda é), que me dizia ter deixado de acreditar em Deus porque a ciência explica tudo, deixando de ser necessária essa hipótese. “What!?!!” Depois de tanta coisa que tinha lido, sim, porque não se resumiu a livros, mas também a uma panóplia de artigos sobre o assunto. Depois disso tudo, alguém que me é próximo diz que, o que faço na vida – ciência – explica tudo e é razão necessária e suficiente para deixar de acreditar em Deus. Sinceramente. Não estava à espera. Não estou a falar de uma pessoa qualquer no âmbito da fé. Ele lia muito sobre espiritualidade, animava missas, dava catequese, orientava grupos de jovens, ou seja, era uma pessoa ativa na Igreja Católica.

Fiquei desolado, mas não derrotado. Muito pelo contrário, senti naquele momento que os tesouros que tinha descoberto não eram ainda conhecidos por todos e questionei se poderia fazer alguma coisa por isso.

Um dia, um outro grande amigo, ao partilhar-lhe o que estava a descobrir no diálogo entre ciência e fé, desafiou-me a começar um blog.

Este blog.

Pois é, se chegaste até este momento do post ficaste a saber o PORQUÊ de tudo o que encontras aqui.

Ficaste a saber de onde vem a ideia do livro que publiquei em Inglês.

Ficaste a saber o que me inspira…

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