Explicações em Ciência e Religião

Um aluno com dificuldades na escola recorre por vezes a explicações, mas se o faz é porque reconhece a necessidade de ser orientado por alguém no seu estudo e com essa pessoa encontrar o método que mais se adequa a si.

Aqui não me refiro a explicações deste tipo, embora seja da opinião que a confusão sobre explicações relativas à realidade confundem de tal maneira o que pertence ao foro científico, com o que pertence ao foro religioso, que dar explicações em ciência e religião seria uma necessidade que só faria bem a uma pessoa!

A realidade é percepcionada por nós de diferentes maneiras, com diferentes níveis. Não podemos esperar que um adolescente leia uma fábula de La Fontaine e veja a moral da questão como se fosse um adulto, por exemplo, professor de literatura. Não. Vê uma história engraçada de um sapo que comia tanto para ser um boi que um dia rebentou. Quantos de nós comemos ideias mais do que devíamos, ou críticas mais do que somos capazes de aguentar, e rebentamos. Dependendo do grau de maturidade podemos dar explicações diferentes sem que estas entrem em competição. E isto porque, muito simplesmente, encontram-se em níveis de compreensão da realidade diferentes.

O mesmo se passa entre o que é natural e estudado pela ciência, e o que é sobrenatural e aprofundado na religião. Não posso esperar uma explicação científica de um evento singular de natureza religiosa, como não posso esperar uma explicação religiosa de um evento reprodutível de natureza científica. Porém, posso afirmar sobre o mesmo evento uma explicação científica e uma religiosa porque não estão ao mesmo nível de compreensão, mas em níveis diferentes.

Um exemplo. Posso acender uma vela e a explicação do senso comum é a de que não há luz elétrica e eu preciso de ver; a explicação científica envolve a combustão do pavio que liquidifica a cera, e esta vaporizando e misturando com o ar produz uma mistura combustível que queimada liberta energia manifesta pela luz; ou a explicação religiosa é a de que a luz da vela representa um sinal visível da luz de Deus no meio da escuridão. Não há competição, mas todas as explicações cooperam para uma visão mais total e integral da realidade.

Não há nada mais complicado e infrutífero do que meter tudo no saco de explicações da nossa zona de conforto. E, depois, meter tudo o resto que não entra nesse saco no vazio irrelevante que o circunda, descartando. Isso é agir com base no medo de que o mundo, afinal, não é a preto e branco, mas possui zonas cinzentas e escavando mais fundo, descobrimos ser um mundo a cores com infinitas tonalidades.

Penso que os ateus reconhecem existirem diferentes níveis de compreensão da realidade. Só não aceitam a compreensão religiosa do mundo como um desses níveis porque a sua a-religião não o permite. Se fossem mais rigorosos, como parecem querer ser com base no argumento que a explicação científica é sempre a melhor, a única resposta credível à questão da existência de Deus seria… não sei.

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